O declínio de Gyaru?

12:59 Tokyo Fashion Girls 8 Comentários



Olá meninas :D

Não se assustem com o título, mas é o que diz essa matéria do blog Tokyofashion.com baseada no artigo do jornal online The Japan Times que fala sobre o possível declínio, e as razões disso, do estilo gyaru em Shibuya.
Como o artigo é bem longo eu traduzi e adaptei, só pra resumir mesmo, mas aconselho ler na íntegra :)



Bom, a discursão gira em torno da opinião de pessoas envolvidas com a indústria fashion do Japão. Quando Gyaru surgiu não existiam lojas de fast fashion americanas no país, acredita-se que, com a chegada de lojas como H&M e Forever 21, juntamente com a crise econômica atual, os seguidores do estilo estejam deixando de consumir a moda local.
Interessante é que se ressalta a diferença significante de preços entre uma burando como a WC e uma F21 e como a diferença está fazendo com que impérios de street wear japonesas como a Shibuya 109 percam espaço no mercado.

Mas será só um fator econômico que afeta o estilo?



Outro ponto relevante vem do fator comportamental. No começo o estilo surgiu como uma "rebelião" ou "protesto", como preferirem, contra a rigidez do país. Tinhamos Mambas, Kogals e todos eles tinham como objetivo chocar uma sociedade que estava aparentemente acomodada com o comportamento alinhado da sua juventude.
Acontece que esse comportamento rebelde em Gyaru foi quase que completamente substituído pelo doce e fofo que conhecemos hoje em dia...Foi-se embora a atitude?
O artigo faz uma comparação interessante sobre a "morte" de estilos transgressores, e aqui gyaru é comparado com o punk, onde a partir do momento que seus primeiros adeptos amadurecem o sentimento de "revolta" que deu origem ao estilo se vai, perde o idealismo e vira comercial, uma mera jogada de markerting.

Resumindo, é como se o estilo estivesse tão modificado diante da proposta inicial que já não é mais possível identifica-lo com tal.

Minha opinião é que Gyaru é um estilo derivado de diversas adaptações ao longo do tempo. Foi o necessário pra que continuasse vivo. Se olharmos para Lolita, por exemplo, temos muitas subdivisões, mas a essência não mudou de fato. Adimitindo que o excesso de fofura atual perde completamente o foco, foge mesmo da origem.

Outro ponto a ser discutido é a substituição de marcas japonesas por americanas. Como "adimiradora gayjin" (já que eu não sigo de fato o estilo) não vejo um problema real, é apenas concorrência e as burandos precisam aprender a lidar com isso. Já que seguir um estilo no Japão acaba sendo uma situação onde a sua condição financeira é diretamente proporcional a perfeição alcançada...e isso é difícil.

A solução, ao meu ver, é simplesmente adimitir que as marcas precisam tornar seus preços e produtos mais competitivos já que o foco do estilo é o consumo em prol da imagem. Se a identidade rebelde não tem mais volta que pelo menos seja incentivada a identidade fashion, relativa ao consumo de marcas essencialmete gyarus, não é?

E assim como o pessoal do Tokyofashion.com nós também queremos abrir a discussão por aqui. Queremos saber a opinão de vocês sobre o assunto como gayjins, praticantes ou simplesmente adimiradoras. Espaço aberto nos comentários :)

8 comentários:

  1. É ai que entra a minha dúvida!
    Pra ser, ou considerar seu estilo gyaru, você tem que consumir só marcas japas para esse estilo? Tipo a mencionada WC e Egoist, e entre outras do 109?

    E me digam: o que, hoje em dia, não vira coisa comercial??? Quantos estilos ainda há um real fundamento para existir? Hip hop é comercial, rock é comercial, grunge é comercial, natureba é moda... E com essa intrudução massiva de coisas orientais no ocidente, como essas tribos japonesas vão manter o idealismo? E o contrário também, a ocidentalização dos orientais. Mas isso não acontece só com os japoneses, e sim com o mundo. Globalização está praticamente igualando culturas. Só sobrevivem aqueles que tem um marketing, ou um bom motivo para existir.

    Espero não ter falado muita besteira... Mas é o meu pensamento em relação a isso.

    :*

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  2. Nossa, eu realmente não sei nada sobre o assunto, agora com as informações de vocês, sou um pouquinho menos leiga no assunto...

    Obrigada meninas...

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  3. Ha 2 anos atras eu e minha amiga Katiuscia, tivemos uma conversa sobre isso e ela me falava que a moda japonesa estava acabando por causa disso.
    Ela e brasileira e estilista para uma marca japa. Ela sempre se queixava e nao usa fast fashion de jeito nenhum, nem mesmo Top Shop.
    Grifes japonesas em si, ja sao caras e hoje a industria japa esta mandando ser feita na China,India e Korea devido a economia estar dessa forma.
    Todos os anos q vivi no Japao, sempre comprei em lojas japas e sinto tanta saudades. Fico triste em saber dessa noticia.

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  4. Não acho que pra ser gyaru tenha que consumir produtos das brands específicas. A mesma coisa eu acho de Lolita.

    Quanto a questão de gyaru estar acabando... Não creio, mas o fato é que as brands japas precisam diminuir os preços, nem todo mundo pode comprar assim e eles saem perdendo. Garanto que as pessoas vão preferir consumir coisas das brands se elas baixarem os preços.

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  5. Aqui no Brasil acho que isso não cola. As meninas montam o visual com roupas de loja de departamento mesmo.

    E todo mundo começou a gostar mais de gyaru desde que pararam com essa regra de ser bronzeada.

    Já no japão, eu não sei dizer. Tem que viver lá pra entender. Mas chutaria que o gyaru antigo realmente morreu, e que o novo ainda vai ficar por bastante tempo.

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  6. Eu acho que a questão em si vem da própria globalização da sociedade e na acessibilidade da massa. Uma vez das mudanças feitas pelas gerações anteriores, é muito raro a nossa geração ter uma idealização a seguir, houve um acomodamento perante a isso.
    Os estilos se tornaram comercial para a própria sobrevivência dessas marcas pioneiras. A massa é, agora, alguém que quer consumir uma estética, não se relacionando com a ideologia. Por isso o mercado mundial foi, não só obrigado mas como aquele que obriga, esse consumo das tendências.
    A moda desses estilos se perdeu com a própria divulgação da ideologia, uma vez que uma pessoa leiga a isso poderia curtir ao estilo e aderir, vendo isso acontecendo em massa a industria não só percebeu isso mas como induziu a todos a esse mesmo caminho.
    Okay, cada estilo é diferente, mas eu, como estudante de moda, olho para as coleções e consigo perceber algumas tendências iguais, mas adaptadas para esses estilos, contudo, muitas vezes nem mesmos as pessoas que consumem percebem isso, e dizem usar roupas unicas.
    O que penso sobre as marcas japonesas é que elas sofreram o choque de acessibilidade de tendências semelhantes e mais acessiveis de multinacionais. Sem contar o status que essa multinacional lhe acarreta ao usar, não sei se isso acontece no Japão, mas..
    Foi um efeito que se tornou as próprias marcas, que visavam sua sobrevivencia e para isso tornaram a ideologia em um estilo a ser consumido agora enfrenta uma crise pra competir com as multinacionais.
    Adorei esse post meninas, voto por mais questões a serem levantadas :)

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  7. Eu li essa matéria a uns dias atrás, e o que eu notei não é que o estilo está acabando, e sim o extremismo vindo do estilo. Gyaru não vai acabar galera, representa tudo o que o mundo é atualmente, vai mais é se espalhar com a casualidade. O que -eu achei- é a critica que junto com o fator UAU das roupas das gals a personalidade forte que era marca das gyarus no inicio também está sumindo de Shibuya. Eu pessoalmente acho isso uma fucking merda, mas não temos oque fazer. É meio que esperado que isso aconteça.
    Em relação às lojas, bom é só um complement do que já disse antes, simplesmente ajudam na casualidade, e ajuda as gals a perderem um pouco da sua marca registrada no japão que é o efeito UUAAAU delas, como já disse.
    Em relação à liz lisa e afins não terem a mesma atenção que o ano passado, o meio que tema desse ano na Tokyo Tashon Week é "Old European" e as brands japas não seguem essa "lógica".

    Amem alguém deu atenção pra essa discussão!! Coloquei na comunidade Gyaru brasileira, rolou um comentário.

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